{"id":1063,"date":"2013-02-23T23:53:56","date_gmt":"2013-02-23T22:53:56","guid":{"rendered":"http:\/\/brodypaetau.com\/?page_id=1063"},"modified":"2022-08-18T10:40:08","modified_gmt":"2022-08-18T09:40:08","slug":"cordel_convite","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/old.brodypaetau.com\/de\/news\/cordel_convite","title":{"rendered":"Cordel da Arte Contempor\u00c3\u00a2nea Brasileira at Sergio Porto (07- 22 december 2012)"},"content":{"rendered":"<p>A Prefeitura do Rio\/Cultura apresenta:<\/p>\n<p><strong>Cordel da Arte Contempor\u00c3\u00a2nea Brasileira de Kristofer Paetau<\/strong><\/p>\n<p>Curadoria Marta Mestre<\/p>\n<p>O artista finlandes Kristofer Paetau lan\u00c3\u00a7a o convite ao cordelista Isael de Carvalho, e apresenta-nos, atrav\u00c3\u00a9s da rima popular, os elementos da &#8222;fam\u00c3\u00adlia&#8220; da arte contempor\u00c3\u00a2nea brasileira: desde Lygia Clark a \u00e2\u20ac\u0153m\u00c3\u00a3e experimental\u00e2\u20ac\u009d at\u00c3\u00a9 ao Neto (Ernesto) bem sucedido. A narrativa \u00c3\u00a9 cantada pelo repentista Miguel Bezerra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, cruzando culturas que nos habituamos a ver separadas.<\/p>\n<p>Abertura 06.12.2012 das 20h \u00c3\u00a0s 22h<br \/>\nExposi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o 07.12.2012 &#8211; 22.12.2012<br \/>\nDe quarta a domingo das 14h \u00c3\u00a0s 22h<br \/>\nEntrada Franca<br \/>\nEspa\u00c3\u00a7o Cultural Municipal S\u00c3\u00a9rgio Porto<br \/>\nRua Humait\u00c3\u00a1, 163<br \/>\nHumait\u00c3\u00a1, Rio de Janeiro CEP 22261-000<br \/>\nT (21) 2535-3846<br \/>\n<a title=\"http:\/\/entresergioporto.com\" href=\"http:\/\/entresergioporto.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/entresergioporto.com<\/a><\/p>\n<p>Marta Mestre<br \/>\ncuradora<br \/>\nM +55 21 83280940<br \/>\ne-mail: mestre.marta(at)gmail.com<\/p>\n<p><strong>O Cordel de Kristofer Paetau<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00c3\u00b3s o inc\u00c3\u00aandio de 1978 que destruiu boa parte das instala\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es e do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), o cr\u00c3\u00adtico de arte M\u00c3\u00a1rio Pedrosa imaginou o \u00e2\u20ac\u0153Museu das Origens\u00e2\u20ac\u009d, que segundo ele, deveria ser composto por cinco museus interligados: Museu do \u00c3\u008dndio, Museu de Arte Virgem (Inconsciente),\u00c2\u00a0 Museu de Arte Moderna, Museu de Arte Negra e Museu de Artes Populares.<br \/>\nTratava-se, no final dos anos 70, de realizar um acerto hist\u00c3\u00b3rico que a arte moderna no Brasil at\u00c3\u00a9 ent\u00c3\u00a3o n\u00c3\u00a3o fizera nos seus museus, e que passava por incorporar as \u00e2\u20ac\u0153margens\u00e2\u20ac\u009d e as \u00e2\u20ac\u0153periferias\u00e2\u20ac\u009d enquanto est\u00c3\u00a9ticas de corpo inteiro, na narrativa da arte moderna. Esta releitura foi fundamental para a derrocada da disciplina da Hist\u00c3\u00b3ria tal como tradicionalmente a conhecemos, abrindo caminho \u00c3\u00a0 multiplicidade de discursos fragmentados que traduzem a nossa experi\u00c3\u00aancia contempor\u00c3\u00a2nea.<br \/>\nSe a proposta de Pedrosa tivesse sido realizada, hoje ao subirmos as belas escadarias do MAM-Rio projetadas pelo arquiteto Eduardo A. Reidy, chegar\u00c3\u00adamos ao piso superior e certamente poder\u00c3\u00adamos ver esse jogo de avan\u00c3\u00a7os e recuos, de sedu\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es e de div\u00c3\u00b3rcios que desde muito cedo se deu entre aquilo a que chamamos \u00e2\u20ac\u0153cultura erudita\u00e2\u20ac\u009d e arte dos \u00e2\u20ac\u0153n\u00c3\u00a3o-artistas\u00e2\u20ac\u009d, na qual tamb\u00c3\u00a9m se inserem as culturas populares.<br \/>\nA proposta n\u00c3\u00a3o foi adiante, mas a reflex\u00c3\u00a3o cr\u00c3\u00adtica mant\u00c3\u00a9m-se pertinente. A sua ideia de rasurar hierarquias e fundar di\u00c3\u00a1logos abriu o nosso olhar a novas categorias est\u00c3\u00a9ticas, objetos, gestos e imagens considerados at\u00c3\u00a9 ent\u00c3\u00a3o interditos no mundo da arte.<br \/>\nAinda assim, e conquistadas muitas batalhas importantes n\u00c3\u00a3o temos a guerra ganha. \u00c3\u2030 comum a sensa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de esgotamento da produ\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o art\u00c3\u00adstica contempor\u00c3\u00a2nea, e face a essa situa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o generalizada \u00c3\u00a9 necess\u00c3\u00a1rio dar respostas que possibilitem a oxigena\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o dos velhos discursos. Curiosamente as produ\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es dos artistas naive, populares, alienados t\u00c3\u00aam vindo a suscitar um interesse cada vez maior, neste processo.<br \/>\nMuito nos distancia do modo como as vanguardas assimilaram os \u00e2\u20ac\u0153velhos\u00e2\u20ac\u009d primitivos. Na verdade, j\u00c3\u00a1 n\u00c3\u00a3o estamos a olhar a arte dos alienados da forma que Hans Prinzhorn o fez, nem procurando nas cores populares novidades para a paleta modernista. Aquilo que, julgo, ainda se processa neste vai-e-vem incessante \u00c3\u00a9 que existem possibilidades de expans\u00c3\u00a3o da arte dentro desta troca de olhares.<br \/>\nO trabalho de Kristofer Paetau nesta exposi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 arguto ao apontar alguns questionamentos. Uma vez mais tira-nos da rede onde est\u00c3\u00a1vamos tranquilamente a descansar, com fina ironia e sarcasmo.<br \/>\nN\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 a primeira vez que aborda o objeto \u00e2\u20ac\u0153arte\u00e2\u20ac\u009d, \u00e2\u20ac\u0153mercado\u00e2\u20ac\u009d ou \u00e2\u20ac\u0153hist\u00c3\u00b3ria\u00e2\u20ac\u009d, bem pelo contr\u00c3\u00a1rio. Conjuntamente com Ondrej Brody, tem vindo a constituir um conjunto de utens\u00c3\u00adlios cr\u00c3\u00adticos que vale a pena revisitar.<br \/>\n\u00e2\u20ac\u0153Cordel de Arte Contempor\u00c3\u00a2nea Brasileira\u00e2\u20ac\u009d \u00c3\u00a9 o seu \u00c3\u00baltimo trabalho, desta vez a solo, mas fruto de uma rede de colabora\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es e parcerias significativas.<br \/>\nO \u00e2\u20ac\u0153cordel\u00e2\u20ac\u009d \u00c3\u00a9 um g\u00c3\u00aanero liter\u00c3\u00a1rio popular de rima muito disseminado nas feiras do Nordeste do Brasil, onde os cordelistas se apresentam com as suas m\u00c3\u00basicas e os seus folhetos, satirizando as mais diversas tem\u00c3\u00a1ticas, do quotidiano \u00c3\u00a0 pol\u00c3\u00adtica internacional.<br \/>\nPara a realiza\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o deste trabalho Paetau convidou Isael de Carvalho, autor de famosos cord\u00c3\u00a9is na Feira de S. Cristov\u00c3\u00a3o (Rio de Janeiro), para juntos criarem um \u00e2\u20ac\u0153gui\u00c3\u00a3o\u00e2\u20ac\u009d sobre 5 artistas fundamentais da arte brasileira: L. Clark, H. Oiticica, N. Leirner, A. Barrio, Cildo Meireles, Tunga e Ernesto Neto. Miguel Bezerra \u00c3\u00a9 o repentista que d\u00c3\u00a1 a voz \u00c3\u00a0 a\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o bem-humorada destes \u00e2\u20ac\u0153personagens\u00e2\u20ac\u009d, cujo v\u00c3\u00addeo se desenrola no MAM-Rio, importante museu que tem nas suas cole\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es trabalhos dos artistas brasileiros referidos.<br \/>\nA narrativa cumpre, na precis\u00c3\u00a3o, os c\u00c3\u00b3digos da m\u00c3\u00a9trica e da rima do cordel, e denota que a sua constru\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o foi fruto de um estudo da mat\u00c3\u00a9ria.<br \/>\nDe toda a sequ\u00c3\u00aancia uma conex\u00c3\u00a3o nos fica registrada. Miguel Bezerra dentro do MAM-Rio a cantar H\u00c3\u00a9lio Oiticica, o \u00e2\u20ac\u0153pai her\u00c3\u00b3ico\u00e2\u20ac\u009d, que na mostra Opini\u00c3\u00a3o 65 (1965) foi proibido de entrar no museu conjuntamente com os passistas da escola de samba da Mangueira. Uma conex\u00c3\u00a3o que revela um paradoxo. Por um lado, as condi\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es de possibilidade e de expans\u00c3\u00a3o da arte, no caso atrav\u00c3\u00a9s da intertextualidade e do uso da tecnologia. Por outro, que n\u00c3\u00a3o deixamos de ser \u00e2\u20ac\u0153modernos\u00e2\u20ac\u009d, no jogo de apropria\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es e div\u00c3\u00b3rcios que ainda se d\u00c3\u00a1 entre diferentes express\u00c3\u00b5es culturais.<br \/>\nDos impasses vivemos.<\/p>\n<p>Marta Mestre<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1064\" title=\"convite-expo Kristofer Paetau - Cordel da Arte Contempor\u00c3\u00a2nea Brasileira de Kristofer Paetau\" alt=\"\" src=\"http:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao.png\" width=\"800\" height=\"1067\" srcset=\"https:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao.png 800w, https:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao-224x300.png 224w, https:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao-767x1024.png 767w, https:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao-123x165.png 123w, https:\/\/old.brodypaetau.com\/downloads\/2013\/02\/convite-expo-kristofer-final-impressao-457x610.png 457w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Prefeitura do Rio\/Cultura apresenta: Cordel da Arte Contempor\u00c3\u00a2nea Brasileira de Kristofer Paetau Curadoria Marta Mestre O artista finlandes Kristofer Paetau lan\u00c3\u00a7a o convite ao cordelista Isael de Carvalho, e apresenta-nos, atrav\u00c3\u00a9s da rima popular, os elementos da &#8222;fam\u00c3\u00adlia&#8220; da arte contempor\u00c3\u00a2nea brasileira: desde Lygia Clark a \u00e2\u20ac\u0153m\u00c3\u00a3e experimental\u00e2\u20ac\u009d at\u00c3\u00a9 ao Neto (Ernesto) bem sucedido. 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